Andrea Roque Neiva

Espiritualidade

A espiritualidade sempre esteve na minha vida, com uma família aberta pude fazer muitas perguntas e explorar essa natureza espiritual desde cedo. A vontade de aprender me guiou por diversas filosofias. Aos 18 anos, comecei meu processo estudando autoconhecimento por livros hindus de yogues e de gurus iluminados, o que me acendia a sensação de já ter vivido na Índia. Num primeiro momento, aquele conhecimento era muito teórico. Apesar de não experimentar práticas específicas, sentia-me privilegiada por saber de coisas que pouca gente em volta sabia. Às vezes me achava superior, o que indicava o quanto teria que aprender.

Com o surgimento da Gnose na minha vida, pude compreender melhor o ego, os comportamentos e as matrizes. Sobretudo, compreender a auto-observação. No entanto, esse conhecimento também me trouxe receio, pois havia um medo sutil do karma. Acreditei que fosse um castigo, porque eu ainda não entendia o que era autorresponsabilidade.

Percebendo minhas  crenças sobre a espiritualidade, rompi com tudo e me coloquei a testar de maneira espontânea. Fiquei dois anos sem seguir filosofias e decidi que faria o que quisesse. Continuei minha busca sozinha, mergulhada nos livros, de forma intuitiva. Na fase seguinte, conheci a Grande Fraternidade Branca e, durante dez anos, aprendi muito sobre devoção, transformação, curas e psicologia do autoconhecimento. Havia um grande incentivo ao trabalho do perdão. Realizei esse trabalho comigo e em cada relação importante.

Entre mantras, decretos, austeridades e autoanálise, procurei entender quem eu era no meio de tudo aquilo. Comecei a perceber mudanças incríveis de maneira mais prática. A disciplina diária era dedicada à reconexão com a parte divina que existe em mim. É um processo de entrega que nasce da vontade de sermos o melhor que está em nós. Não tem razão lógica, é um chamado da alma. O caminho espiritual não tem ponto de chegada. A grande viagem é justamente a caminhada. O divino me deu tudo do que eu precisava. Em cada momento eu me entregava: “o que devo aprender agora? Como contribuir com a minha vida?”.

Gradativamente, desenvolve-se um processo contínuo de transição do inconsciente para o consciente. A espiritualidade é isso: uma escolha com o que queremos sintonizar. Nós convivemos com as sombras todos os dias. Eu decidi conhecer a verdadeira luz. Um não nega o outro, pois somos os dois. Existem essas duas frequências, como AM e FM. Podemos escolher com consciência, acordar do mecânico e viver com presença.

A maturidade espiritual trouxe a clareza de que eu precisava seguir o meu caminho sozinha. Minhas práticas nasciam no coração. Percorri o Caminho de Santiago, onde vivi uma experiência de entrega ao indefinido. A única certeza era a de que o incerto aguardava após cada curva. A vida se apresenta quando focamos atenção no agora e vivemos com o essencial.

Seguindo viagem, passei uma temporada na Índia, onde encontrei o meu ser mais profundo vivendo o silêncio. Passei por um processo de iniciação e o trabalho de imersão se tornou mais profundo. Desde então, vivo meus dias com mais honestidade e responsabilidade, despertando o amor em mim e em quem passa.

Tem sido interessante experimentar essa entrega. Aprendo a seguir cada vez mais o meu guru interno. Não existe um salvador. Existe a espiritualidade na prática.

As meditações diárias e o estado de presença me permitem autoconhecer em nível mais elevado. Tenho me libertado das amarras, das engrenagens e dos mecanismos, que servem somente ao sofrimento. Cada dia sou mais eu. Vivo mais minha verdade e a vida com sentido. A potência do amor está em mim. Ela repousa em cada coração. Podemos despertar o amor, espalhando-o pelo mundo em comunhão.

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