Andrea Roque Neiva

Medo

Medo do erro, medo da reprovação, medo da rejeição, medo da exclusão, medo da escassez, medo da traição, medo do fracasso, medo da crítica, medo da inferioridade… Quantos medos já permearam a minha vida.

O medo de falhar começou na infância, com o excesso de cobranças. Cresci acreditando não ser boa o bastante. Para me preservar, demonstrava o oposto. Queria ser a mais forte, a mais corajosa, a mais engraçada, a mais boazinha. Era assim que eu escondia as minhas fragilidades e o medo do fracasso. A coragem era, na verdade, impulsividade, a reação constante aos meus medos.

O medo de não ter lugar no mundo, de não pertencer a nenhum grupo, transformava-se em competição, agressividade, orgulho e muita vaidade. No íntimo, faltava autoconfiança. O medo de falhar bloqueava as minhas ações. Com o tempo, perdi a convicção na intuição. Quantas crenças criei e quantas reações tive ao me defender. Sem ter consciência, achei que todo esse medo fosse eu.

O medo de me relacionar foi um clássico drama na minha vida. Eu queria amar, mas sabotava as relações por medo de sofrer. Casei muito jovem. Em minha gravidez precoce, lembro que tive medo durante a gestação, no parto e ao sair da maternidade. Pensei: “e agora?”. Para educar, a indecisão era entre o correto e o que eu conseguia fazer. Aprendi a ser muita autocrítica, uma tirana mental.

Anos depois, o medo do divórcio foi grande. Insegura, quase sempre estive indecisa diante às escolhas, especialmente em frente ao maior medo da minha vida. Sem carreira profissional, eu não tinha dinheiro e estava carregada de culpa. Mais uma vez, pensei: “e agora?”. Dependente do meu ex-marido, recomeçar do zero foi muito desafiador. Longe da família e com dois filhos, a questão que mais preocupava era a falta de dinheiro. Eu não queria ficar sem casa ou ter que voltar para a casa dos meus pais.

Naquela época, eu não estava alinhada com o meu propósito, mas lembro que me questionei: “como utilizar meus dons e talentos para trabalhar com algo que eu faria de graça? Empreender!”, respondi. Até me ofereceram um emprego para ganhar mais, mas não era o que eu queria. Decidi arriscar e empreender, começando como coach de imagem, sendo pioneira no Brasil.

Ao longo da jornada de busca por conhecimento espiritual, comecei a entender os meus mecanismos e iniciei o processo de mudança. Um despertar ainda meio inconsciente, que foi acordando aqui e ali, a cada novo passo. Quando olho para traz, vejo que o processo aconteceu como tinha que ser. Foi o meu aprendizado. Aos poucos fui encontrando a minha essência, apesar dos medos.

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