Andrea Roque Neiva

Relacionamentos

Relacionamentos amorosos: o tema mais delicado da minha vida, desde a primeira relação com uma referência masculina, o meu pai. Controlador, sem querer bloqueou boa parte da minha espontaneidade. Reagi com rebeldia e fiz tudo ao contrário do que ele queria. Esse mecanismo, que se instalou de forma reativa e inconsciente, trouxe uma série de relações destrutivas. Ao mesmo tempo que eu queria amar, falhei em diversas possibilidades. Os comportamentos foram diversos, do tipo controladora, indiferente, mandona, submissa, desconfiada, com pouca entrega e, claro, com muitas exigências ao outro.

Inconscientemente, escolhi pessoas com características que eu não queria, somente para confirmar minhas crenças sobre o quão difícil era me relacionar. No caminho do autoconhecimento, descobri o que estragava as minhas relações. Percebi que precisaria curar a relação com o masculino. Participei de uma série de dinâmicas e vivências, também curando o feminino. Trabalhei a relação com os meus pais, pois ela se reflete na afetividade com parceiros e com os meus filhos. O mais interessante é que, curando pai e mãe, há muita cura para a ancestralidade e nas gerações futuras os nós seguem sendo desatados.

As relações foram se tornando mais saudáveis. O grande desafio é que nos relacionamentos podemos aprender mais sobre nós mesmos. O outro é, na verdade, o espelho refletindo o que não conseguimos ver sozinhos. O que eu percebo e não gosto no outro está dentro de mim, em um ponto cego, sendo revelado para eu modificar. Já o que eu gosto no outro é a ressonância de algo que em mim está aceito.

Para viver o processo de cura, precisei sair do papel de vítima e parar de acusar o outro pela minha infelicidade. A responsabilidade por ser feliz é sempre minha, não do outro. Tive que parar de reclamar sobre o outro não ser como eu queria, para olhar o que eu precisava mudar em mim para ter mais harmonia. Um processo de olhar para dentro e assumir com coragem o meu desejo inconsciente de ser infeliz, fruto do vício em sofrimento. Observando os meus pensamentos, sentimentos e atitudes, trouxe consciência para essas engrenagens, até então, vividas no modo automático.

Saindo do conto da Cinderela, que esperava ser salva pelo príncipe, passei a olhar para a minha história e entender o quanto ela foi importante para eu ser quem sou. Distanciando-me do teatro da minha vida, consegui estudar os personagens com mais imparcialidade para entender os papeis e ensinamentos de cada um. Aprendi que todos somos vítimas de pessoas um dia vitimadas. Não há perfeição. Acolhendo as minhas fragilidades, passei a acolher as dos outros. Amando-me, aprendi a amar.

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