Andrea Roque Neiva

Raiva

A raiva é uma emoção primordial. Está dentro de nós para nos proteger. É um mecanismo de alerta que nos defende de situações de humilhação, impotência e vergonha. Ela provoca reações que nos posicionam e tiram da estagnação. Ao invés de reprimirmos da raiva, podemos ser amigos dela. Converse, faça perguntas, investigue essa emoção.  “Raiva, do que você me protege? Que dor está encobrindo? O que te deixa tão indignada? Estou engolindo ou sufocando algo que não percebo?  O que incomoda o meu inconsciente?”.

Questione a raiva sem negá-la. Você continua sendo uma pessoa boa admitindo a raiva. Permita que ela se expresse com autorresponsabilidade. Podemos encontrar meios para utilizar esse fogo sem violência ou inconsequência. Por trás da raiva está um potencial de amor que precisa germinar. A semente do amor brota quando aprendemos a observar nossas emoções com neutralidade, sem julgamentos ou autocríticas. Aceite que somos luz e sombra. O processo de transformação não pode ser vivido com uma falsa espiritualidade, que protesta contra a própria natureza.

Como toda emoção, a raiva surge como uma onda. Aceite quando ela se aproximar, preste atenção e evite discutir. No calor do momento podemos agir sem pensar. Nosso estado de presença equilibra a conduta. Comunique a outra pessoa e se preserve em um tempo só seu. Silêncio e respirações conscientes são ideais para se acalmar. Quando a emoção passar, faça o exercício da retrospectiva. Você pode sentar com os olhos fechados e visualizar o que aconteceu, como um espectador assiste a uma cena. Em qual momento a raiva apareceu? O que a disparou? O que te faz se sentir ameaçado? Com imparcialidade você pode reconhecer o que está por trás das emoções e, assim, sair do modo reativo.

Se você costuma engolir a raiva, sugiro que, ao se acalmar, retome o assunto e fale sobre o que está sentindo. Manifeste essa sensação com um relato sincero. A raiva esconde dores que, geralmente, estão relacionadas à infância. Pode haver semelhanças entre fatos atuais e situações que machucaram a criança. Ao reconhecer a relação, acolha esses sentimentos e repita a si mesmo que essa história não precisa ser repetida, pois ela está no passado e já foi perdoada. As circunstâncias que geram raiva são apenas projeções. Você não está mais ameaçado, liberte-se do peso dessa dor.

Você pode expressar raiva sem ferir o outro. A honestidade traz clareza e leveza ao presente, pois você deixa de se identificar com o que antes gerava emoções ruins. Se você sente raiva é importante reconhecê-la. A máscara de bonzinho impede o nosso crescimento. Toda emoção sinaliza o que precisa ser reintegrado. Somente a unidade do Ser é o verdadeiro caminho do amor.

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