Tenho escutado diariamente a pergunta:
Você vai deixar seu cabelo crescer de novo?
Nossa você está com raiva?
Como pode? Achei que você estava iluminada? What????
Eu pergunto porque você teve essa impressão? É que você está parecendo uma
monja 😂😂😂
Pessoas achando que porque eu raspei a cabeça agora virei um ser iluminado.
Eu não sou iluminada (como esses gurus tipo Prem Baba por exemplo), nem avatar, nem mestre ascenso, nem bodhisatwa.
Embora hoje eu seja mais iluminada que antes, eu continuo uma mortal com egos, raiva, medo, dúvidas, inseguranças, etc.
O que mudou então?
Meu viver e minha visão de mundo. Hoje sinto paz, gratidão e felicidade.
Não me apego mais ao eu inferior quando ele aparece. Vejo ele surgir e estou sempre ligada em qual engrenagem ele sustenta. A serviço de quem ele está para não alimentar mais e nem viver a serviço dele.
E em contra partida procuro alimentar cada vez mais minha essência fazendo meu sadhana diário. Às vezes tento fazer as 6 da manhã, mas a preguiça nesse frio daqui não me deixa, mas isso não tira meu compromisso de fazer todos dias. É preciso trazer a Presença e ficar nela a cada instante. Viver o aqui e agora. Afinal o amanhã não existe e ninguém te garante que existirá.
Raspar a cabeça não ilumina ninguém, se fosse assim teria criado meus filhos carecas, já teria raspado há séculos evitando muito sofrimento que passei.
O ato de tirar meu cabelo foi um ato puramente devocional.
Quando estava no retiro de silêncio nos Himalaias, simmmm…. Fiquei 12 dias sem falar, sem ler, escrever, digitar, internetizar, computadorizar e sem olhar nos olhos das pessoas.
Nesse silêncio nossa capacidade de auto percepção aumenta e senti que meu ego era muito pautado na imagem antiga, como falei no outro texto que escrevi.
Intuitivamente senti que entregar meu cabelo me ajudaria a criar espaço para o novo vir, já que minha imagem representava muito desse ego.
Tirar minha identificação comigo mesma me deixaria vulnerável, sem apegos, muletas e armaduras pra me esconder de mim mesma. Foi simplesmente (não tão simplesmente assim 😱😱😱), uma desconstrução de mim mesma, por escolha própria e feita de forma bemmmm consciente.
Sendo assim, me despi pra poder exercitar a vulnerabilidade de não ser quem eu costumava ser. Deixei o novo vir, me sujeitando aos medos, críticas, julgamentos entre tantas coisas que tenho visto e sentido, inclusive de mim mesma. Aproveitando pra quebrar minhas crenças e padrões antigos que não servem mais 😀
E também criando novas possibilidades de me experimentar.
Amo mudanças. Amo testar meus limites. Cada vez que me testo vejo o quanto tem coisa nova pra descobrir.
Sentir meu poder de ser inteira, integrada, sem capas! Uma força interna que persiste em crescer. 🙏
Enfim… Sigo a vida em direção ao mar e isso me dá horizontes para o infinito. 🕉☯️✡️💟