Quando meus filhos eram pequenos eu comprava diversos livros, porque ler pra eles antes deles dormirem era um grande prazer pra mim. Um dia o título da Rute Rocha, Quem Tem Medo do Ridículo, me chamou atenção.
Essa frase ecoa até hoje em minha cabeça.
O que será o ridículo para cada um de nós?
O fato é que o medo da desaprovação pertence a todos os seres humanos da terra.
Esse momento da minha vida que estou me pondo a prova, com minha vulnerabilidade, descoberta de cabelos e de todo pacote que vinha com ele, estou me conhecendo todo dia um pouco.
O primeiro dia com a cabeça zero, foi um pavor. Me senti um alien, mas ainda assim me dei boas vindas.
O segundo dia o choque, o que eu fiz comigo? O medo de ter perdido o controle de mim mesma me fez ter uma crise curta e profunda de pânico.
O terceiro dia, corri pra comprar todos os lenços que existiam na Índia. Agora a onda vai ser o turbante. Ele me ajudou a me proteger do sol escaldante, da exposição energética de uma cabeça limpa e aberta, e ao mesmo tempo, me deu tempo pra fortalecer em mim mesma a capacidade de enfrentar o mundo sem as capas da vaidade.
Hoje, um dia após escrever e me revelar para minha rede, senti que tinha chegado a hora de romper a barreira da vergonha, do medo, em carne e osso.
Decidi que faria isso por mim.
Amo a liberdade e ficar me escondendo num turbante pra criar uma personagem que não combina comigo é outra forma de aprisionamento.
Preciso ser livre pra me expressar e ser do jeito que eu quiser, a hora que eu quiser. Não vai ser o medo da crítica que vai me segurar, pensei.
Tinha uma reunião no Nex com o André, que me conheceu como Consultora de Imagem, depois diretora do Bureau de Estilo e Comportamento, e então pensei, será uma oportunidade perfeita pra eu derrubar essa primeira barreira dentro de mim. Se minha vaidade está com medo de se expor, então o caminho da liberdade é justamente esse, me expor!
Acordei, fiz o que tinha que fazer e fui de peito aberto e me sentindo com coragem pra passar por esse primeiro momento de prova percebendo minha vulnerabilidade mas, sem ficar presa a ela.
Fui a reunião com a careca que escolhi pra mim.
Antes de sair olho pra minha Victoria, filha linda e amada e pergunto: Estou muito ridícula? Ela diz, mãe você esta linda careca. Eu digo: Ah! Você está falando isso só porque me ama e quer me ver feliz. Ela diz: Eu juro, estou sendo absolutamente sincera. Você está linda! Acreditei e isso me deu uma força a mais pra eu seguir e dizer, se ela vê essa beleza eu também preciso encontrar.
Pensei também em ontem, quando minha sobrinha de apenas 8 anos me mandou um wapp e disse assim: Tia porque você fez isso? Raspar a cabeça? Só porque você foi pra Índia e quase morou lá agora também ficou careca? Kkkkk.. Ficou horrível, eu preferia a outra. Achei muito engraçado porque amo a sinceridade e ela é muito autêntica, fala o que pensa sem meias palavras. Daí eu falei pra ela. Emmy, tia Andréa raspou a cabeça e te explico tudo aí, mas eu continuo a mesma pessoa. De certa forma, continuo porque minha alma é a mesma, mas a personalidade está completamente diferente.
Mas o fato é que essa frase dita anteriormente reflete o sentido de que nada muda quem eu sou, exceto os meus pensamentos sobre mim mesma, por isso a consciêmcia sobre isso, me fez ter certeza de que eu podia seguir, por que o que é um cabelo diante de toda grandiosidade de quem Eu Sou?
Fui então a reunião com o objetivo de romper essa barreira e assumir minha escolha de peito aberto e com muita vontade de ser livre pra ser eu.
Chegando lá o André olha pra mim com a maior naturalidade e diz: New look? Eu digo: Sim, foi por isso que vim conversar com você sobre minha experiência do Caminho de Santiago e da Índia e então começamos a falar sobre essas viagens.
Em seguida ele me apresenta a Bia e ela vem pra roda e me olha com a maior naturalidade do mundo. Foi amor à primeira vista.
O André saiu e ficamos trocando um milhão de ideias por segundo e o assunto meu cabelo nem passou pela minha cabeça.
Ao final, fazendo um movimento inconsciente de mexer o cabelo, sim, isso ainda acontece, o hábito de ter um cabelo grande ainda vem em meus movimentos, dou risada e conto pra ela, acabei de ficar careca e as vezes ainda ajo mecanicamente como se o cabelo tivesse aqui.
Ela dá risada e diz, você está linda careca!
Continuamos a falar, viajar nas ideias e sai de lá com peito cheio de quem fez a coisa certa, e se libertou mais um pouco de um aprisionamento interno.
Liguei pra minha amiga inglesa que tem sido uma parceirassa nesse processo e digo: Ruth I’m so happy, I feel Im free!!!
Ela disse : Jay Ho!