Quando a minha voz interna me disse, vai pra índia, eu pensei…Como vou pra Índia sozinha? Não sei nem por onde começar! Mas,em nenhum momento coloquei isso como empecilho. Já tinha pensado em ir a Índia antes, mas sempre achava que tinha que esperar um amor pra ir comigo. Para ir a Índia é preciso sentir, e não pensar. É a Índia que te permite ir até lá. Digo que é um lugar que a alma precisa estar madura para chegar.

Pois bem, não sabia nem por onde começar. Na época em que esse chamado veio, era o momento do Congresso da Felicidade e tínhamos reuniões frenquentes onde pude conhecer a Aline Castro e a Michele Taminato. A Mi tinha vindo de um ano sabático por lá sozinha e a Aline estava com passagem marcada para ir também sozinha. Então eu pensei, porque elas podem e eu não? Elas me inspiraram a seguir em frente mas, ainda não sabia como.

Nessa mesma época estava frenquentando um grupo de Deeksha e num dos últimos encontros do ano, o Aldir, um dos que coordenam o grupo, estava prestes a ir a Índia. Antes de aplicar o deeksha, disse assim: Peçam ao receber a energia algo que vocês queiram muito. Então eu pedi o dinheiro pra ir. Pasmem … uma semana depois eu já tinha o dinheiro em minhas mãos.

Então comecei a planejar. Por onde começo? Pensei na Fefa, linda, fofa, querida tudo de bom, que me ajudou e me explicou tudo. Até então meu interesse era ir a Oneness fazer um curso de deeksha. Mas, tudo acontecendo ao mesmo tempo, surgiu no meu feed um vídeo da Rebeca convidando pessoas a ir num grupo espiritual para um roteiro que se chama cidades sagradas. Me apaixonei pela viagem e decidi, vou entrar na Índia com esse grupo, me situo e de lá sigo para Oneness.

Durante todo esse movimento acontecendo, o Congresso de Felicidade já tinha acontecido, eu tinha conhecido o Prem Baba ao vivo pela primeira vez, e quase entrei em êxtase quando o vi. Meu coração bateu muito forte. E coincidia que quando eu acabasse meu curso de deeksha era bem quando começaria a temporada dele na Índia.

Mas daí pensei, meu Deus tanto tempo assim na Índia??? E o dinheiro? E o trabalho? E os medos? E as culpas? Como farei para administrar tudo isso? Daí entrou a mente, e todas as indecisões junto com ela, mas o chamado era muito forte e no final, decidi seguir e depois dar um jeito. Santa decisão!

Parti. As cidades sagradas foram uma maravilha, passei a virada do ano ao som de Krishna em Vrindavan, meu aniversário no Taj Mahal, conheci Bodhgaya sob a energia do Dalai Lama. Estive no livro de histórias chamado Varanasi e lá pude sentir a Presença forte da Amada Ananda Mayi, que nem sabia quem era, mas sim ela veio e me derramou um quilo de energia e me fez entrar em êxtase de tanta gratidão, simplesmente porque me deitei no chão aos pés do altar Dela para reverenciar o sagrado feminino. Sempre lembrarei desse momento! Virei devota. E ainda pude ir ao Samadhi de Lahiri Mahasaya, guru do meu amado Yogananda, que me inspirou o começo dessa viagem, quando li seu livro Autobiografia de um Yogue (recomendo muito) um ano antes. Passei pela loucura de Delhi, o trânsito mais maluco do mundo. Fiz amigos incríveis, todos companheiros de jornada e fiquei enturmada com a misteriosa Índia, finalizando essa parte da viagem em Rishkash.

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Meu curso na Oneness foi cancelado e tinha mais ou menos uns 12 dias de gap até o Baba chegar sem ter o que fazer e então entra Aline Castro (marida) chegando na Índia 3 dias depois e me convidando para ir com ela a Dharamsala ver o Dalai Lama e de lá ir a um casamento em Jaipur. Claro que eu aceitei! Nos encontramos em Delhi e de lá partimos para o freezer, sim estava impossível de ficar lá. Chegamos no fim do dia e quase morremos congeladas. Dormi com roupa térmica, saco de dormir, 3 cobertores e dois aquecedores no quarto. Quem me conhece sabe que tenho pavor de passar frio. Olhamos uma para outra e conversamos. O que você sente fazer? Eu disse logo, por mim volto pra Rishkash, já estava apaixonada por aquele lugar com aquela aura fantástica, cheia de sincronicidades e mistérios auspiciosos. Ela, eu também. Cancelamos tudo, pegamos um avião no dia seguinte de volta para Rishkash. Que alívio voltar pra lá. Algo me queria lá. A Índia é assim, ela te conduz. Passeamos, nos conhecemos melhor (outra hora explico essa parte), e nos integramos a cidade.

 

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Alguns dias depois passeando pela rua, quando de repente saimos de uma loja, damos de cara com Prem Baba. Nesse momento conheci ele de pertinho (detalhe: eu não sabia se beijava, abraçava, ajoelhava, só sei que meu cardíaco imediatamente começou a tremer), conheci também a Jaymala, a Paramita e o Marcelo. Foi um encontro de almas da jornada que se iniciava. Com toda simplicidade do mundo, fomos convidados a nos juntar a eles para ir ao templo de Shiva, de quem sou devota e tomar um chá com o guru guadião desse templo. What??? Claro, óbvio que fomos e sentamos com o Baba e tomamos o chá abençoado por ele. De lá fomos a loja do Mr. Manoj.

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Dia seguinte fomos ao ashram pra saber sobre as atividades da temporada que ainda não tinha começado e conhecemos o Michael que coordena praticamente tudo sobre isso e nos disponibilizamos a ajudar no que fosse preciso. Michael disse amanhã venham as 10 horas. Fomos, chegamos lá e começamos o tal do Seva, serviço desinteressado também chamado de karma yoga. Muito prazer, porque nunca tinha feito antes. Nesse ponto da viagem eu estava totalmente no fluxo, seguindo totalmente meu coração e fazia só o que ele mandava.

Michael nos deu para limpar duas mandalas de chakra cardíaco, totalmente auspicioso para começar uma temporada de amor. Cada pedacinho de sujeira que eu tirava daquela mandala eu tinha um insight. Um deles era que eu precisava limpar com delicadeza aquela mandala senão ela ia se quebrar. Faz sentido?

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Dia seguinte o Michael nos pediu pra tirar do chão do hall enorme todo o respingo de gesso com uma espátula. Foram 3 dias agachadas limpando o chão que tinha além do pó, coco de rato e outras sujeiras mais. Pasmem. Foram um dos momentos da minha vida que mais senti paz. Tive uns 799 insights. Ex: tivemos que tirar primeiro os gessos mais óbvios, depois os mais ocultos. Faz sentido? E tivemos que refazer esse trabalho umas 3 vezes de cócoras. Viva o muladhara! Finalizando essa parte Michael disse, agora vocês podem limpar a sala onde acontecem os rituais de fogo? Pensei.. Uau, tudo que eu preciso é limpar o salão do fogo rs. Estava puro pó preto e muitas teias de aranha, tiramos as teias mas deixamos as aranhas, ok? Mas, limpar aquela sala, foi outra alquimia. Depois dessa época começaram a chegar mais discípulos do Baba e o trabalho foi se disseminando. Num daqueles dias que eu estava no chão, uma voz dentro de mim, essa que fala comigo, me disse que eu deveria ir para a cozinha do Baba. Dei um jeito de descobrir como e conheci a Sephina que coordenava a equipe e ela me deu permissão pra cozinhar durante a temporada. Simmmmm, eu fazia almoço para o Baba 3 vezes por semana. Era uma alquimia de amor. Simplesmente tudo fluia e eu tinha a oportunidade de estar ali perto dele, perguntar, falar, agradecer e tudo que aconteceu da forma mais mágica do mundo. Milhões de gratidões por todos esses momentos. Conheci pessoas incríveis, a sanga, equipe de treinamentos, e foi tudo muito gratificante. Cozinhar par mim era um ato total de amor e entrega.

Durante a temporada tínhamos seva, satsangas, banhos de ganges e muita meditação, especialmente no samadhi do Maharajji (guru do Prem Baba). Esse lugar é simplesmente mágico, parece que lá é a fonte do Om, acho que de fato é. Se você perguntar qualquer coisa para o Maharajji ele responde imediatamente, é quase uma conversa por whatsupp. Incrível. É o Ser do amor.

Aprendi muitas coisas na Índia, parikrama, prasad, pronam, dakshina, diksha, seva, mas o mais importante foi deixar o coração falar e obedecer. E funcionou muito essa matemática. Foram tantos insights, choros, curas, gratidão, emoções, amor brotando que não tem como explicar essa experiência. Posso escrever aqui, mas de fato não dá pra sentir por aqui a intensidade dessa oportunidade que tive.

Estava com volta marcada pra dia 24 de fevereiro, decidi alterar para final da temporada, porque na verdade queria ficar para o retiro de silêncio, mas a companhia aérea que eu ia voltar parou de operar o Brasil e eu não tinha como adiar minha volta até o final, cláusula do pacote que comprei. Então estava com volta para 16/03, meio sem aceitar muito essa ideia, mas fui jogando pra frente.

Até que comecei a ficar incomodada, porque queria ir ao retiro de silêncio. Uma crise entrou em mim, sobre seguir a intuição ou alimentar o medo. Porque quando decidi que queria ficar, o medo da falta começou a me atormentar, tipo: que loucura perder uma passagem e comprar outra? Já faz muito tempo que você esta aqui! Chega, isso é loucura, você tem que trabalhar, um monte de fantasmas mentais, que fazem sentido a vida comum, mas não tem sentido quando se segue um chamado da alma.

Nesse ponto já tinha transformado muita coisa dentro de mim, já vinha num processo forte de auto transformação e muitas, muitas fichas haviam caído. Tive certeza que ía ficar, depois de quase enlouquecer a Aline, o Marcelo e a Camila com tantos questionamentos. O insight desse processo veio e então eu decidi ficar.

Melhor decisão da vida. Ficar em silêncio era tudo que eu precisava depois de tudo que vivi pra assentar ainda mais os processos, compreender e fazer fechamentos. Lá no retiro o trabalho é focado em aumentar nossa Presença, diferente dos satsangs que é focado em curar a criança ferida. Então, era uma matemática perfeita para uma temporada completa.

Lá enxerguei tudo que podia e mais um pouco e me dei conta que a Andréa que entrou na Índia, já não existia mais. Eu tinha me transformado e um novo ciclo estava a caminho. Senti que precisava me despedir de quem fui com gratidão, reverência e honrar minha história. Foi o que fiz.Dias depois senti que precisava renascer, nesse novo ciclo, mais inteira, com o meu Ser que deu sinal de estar a caminho. Pra vocês entenderem esse processo preciso explicar sobre minha trajetória.

Comecei um processo forte de transformação quando meu pai foi assassinado no final de 2013, a morte dele fez brotar em mim um senso de urgência pra ser feliz agora. Um senso de dever em relação aos anseios da minha alma. Senti que dali em diante minha vida precisaria ser regida pela vontade da minha alma, porque eu tinha obrigação de ser feliz a cada segundo, pois a vida se mostrou frágil e me fez sentir que eu precisava me curvar ao Divino com resignação a minha ignorância e que só poderia mesmo confiar em minha intuição, que sempre foi muito forte mas, muitas vezes eu negava suas orientações.

Pois bem, após a morte do meu pai, eu estava num relacionamento destrutivo e cheio de co-dependência, carência, brigas, etc. Estava prestes a assinar uma renovação de contrato que me traria muito dinheiro, mas eu já sentia que não amava mais fazer aquilo, já percebia que meu propósito estava mudando de espiral. Pois aquela voz, durante toda essa revolução, me mandou para o Caminho de Santiago de Compostela. Fui um mês depois. Lá fui com 3 pedidos a Nossa Senhora, quem eu escolhi pra patrocinar energeticamente meu caminho. 1 – Terminar o relacionamento que eu não conseguia. 2 – Descobrir meu novo propósito. 3 – Fazer a cura com o masculino. Tinha um história complicada com o masculino desde a infância.

Recebi no caminho as respostas que precisava e para curar o masculino, o caminho me apresentou um homem que se tornou a representação de todas as minhas dores, para que eu pudesse passar por tudo aquilo de novo e com consciência escolher dizer não para a autodestrutividade e sim para minha dignidade. Foi quando comecei o caminho de amor por mim. Foi quando disse não pra ele e pra tudo que ele representava, que comecei a dizer sim pra vida e aceitar quem eu era e que podia me amar apesar de tudo que já tinha sofrido. Ao dizer sim pra mim, minha alma se encaixou e meu propósito veio em inspiração após as meditações e foi então que criei o Programa Ame Ser Você. Quando fui criando esse programa, ao mesmo tempo que estava mais reclusa em casa, sozinha e sem muletas masculinas, o programa ia sendo testado em mim mesma. Cada módulo que eu recebia por inspiração, eu fazia uma catarse interna. Foi muito intenso e libertador. E esse processo de auto descoberta finalizou no Congresso da Felicidade com a estréia do programa. Lá pude sentir minha alma encaixada e que nasci pra fazer o que estava fazendo naquele momento. Compartilhando minha historia e inspirando pessoas a sairem do sofrimento e dizerem sim pra vida. Então, o momento de ir a Índia surgiu como um final desse processo que vivi de auto aceitação, auto amor, auto perdão. Foi como um selamento dessa vitória para que lá na Índia eu obtivesse as bençãos de gaia para continuar no mundo num novo ciclo.

Então no final do retiro após muitas visões, meditações, sonhos reveladores, intuição, senti que precisava me desfazer da imagem de quem eu era como se fosse uma casca que me revestia e simbolizava tudo que fui.

As pessoas sabem que trabalhei muito tempo com imagem e a imagem é a tangibilização de tudo que somos e a identidade que temos de nós mesmos está atrelada a imagem física que representamos. Pois então, aquela Andréa glamour, sensual, tipo modelo não fazia mais parte de mim. Quero que fique bem claro que pra mim beleza é uma virtude da alma e é uma forma de cura, mas não falo nesse momento sobre beleza da alma, falo de uma beleza que era usada para esconder uma série de fragilidades e usada como máscara para que eu pudesse me sentir amparada por ela. Ou seja, era uma muleta e me causava dependência, não era genuinamente da alma. Foi muito útil pra me trazer até o ponto que cheguei.

Então após o retiro percebendo essas fragilidades, as máscaras, toda dependência ainda de aprovação, medo de rejeição, necessidade de inclusão, decidi que para viver meu verdadeiro Ser era hora de sair dessa dependência e me permitir renascer dentro de mim. Não mais tendo auto estima, auto confianca, auto amor, auto respeito, mas sendo tudo isso com toda profundeza da minha alma.

Era o momento de me sujeitar a minha própria vulnerabilidade para com a força da minha Presença permitir o meu Ser vir e com ele ser de verdade a integridade de quem sou legitimamente. Por isso, veio um comando da minha alma que eu estava pronta pra fazer isso e que assim abriria espaço pra esse novo vir eu poder ser a minha expressão Divina de forma real, genuina e ao mesmo tempo vulnerável. Era uma vulnerabilidade com confiança e entrega.

Raspei minha cabeça como quem corta com uma espada tudo que não quer mais para si. Esse não querer mais veio cheio de gratidão. Foi um processo difícil, decidir me desfazer da imagem irreal, afinal de contas estava com ela há 45 anos. Mas, senti que era a hora.

Senti e fiz.

No dia seguinte me senti estranha, desnorteada, sem identidade e totalmente vulnerável. Vivi a morte. Senti o luto. Não era essa a ideia? Precisei da ajuda de amigos, do Baba para aguentar esse renascimento sem sucumbir aos medos que surgiram. Como voltar pra Curitiba assim? Vão achar que sou louca? Vão achar que sou fanática? Um milhão de medos se apresentaram pra mim. O fato de fazer escolhas da alma não inibem os fantasmas de virem nos atormentar. Mas, consegui sair desse poço e me fortaleci na minha Presença. Cada vez que me olho hoje, vejo o Buda que existe em mim. Para os padrões de beleza sociais e ainda para mim mesma, ainda acho a outra mais bonita por fora, mas a força que surgiu dentro de mim não dá pra comparar e sei que o trabalho é justamente esse, encontrar essa beleza real dentro de mim e depois transparecê-la de forma natural. Para se sentir o belo genuinamente não dá pra ser com co-dependência do que se põe fora. Não dá pra viver com medo de não estar a altura do que o outro espera. É preciso aceitar-se de fato, na mais pura essência, no nosso próprio ventre.

Quero me amar desde minhas mais profundas entranhas e é isso que estou me propondo. Esse é meu processo, faz sentido pra mim.

A beleza precisa estar dentro.

Deixei a Andréa ir. Naceu a Prem Dárika, a estrela do amanhecer do amor divino. Aquela que rompeu a escuridão e brotou na luz do dia.

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Me apresento aqui sem pudores, vulnerável, sem capas a todos vocês. Me rebatizei no rio ganges, na Grande Mãe e cada centrímetro de cabelo que renasce em mim sinto que essa estrela divina, que é na verdade uma planta do amor que acabou de brotar, cresce junto.Logo serei uma árvore, logo darei frutos, e logo espalharei as sementes por onde quer que eu passe.

Assim é. Jay Ho. Amém.

Namastê.